quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Vamos falar de números?

Há quem diga que músico não leva jeito pra matemática e há quem diga que música e matemática têm tudo a ver - que o digam os compositores do dodecafonismo com sua fixação por séries de fibonacci e proporção áurea (se você não entendeu nada, procure saber).
Mas tenho procurado acompanhar os números do lançamento do meu disco pela internet, e tenho ficado feliz com o resultado.

Este blog que você lê já teve pra lá de 6.000 visitas. Meus vídeos no Youtube já somam mais de 30.000 visualizações. No Facebook são 1.200 seguidores compartilhando meus posts. E no Soundcloud são mais de 4.000 audições das minhas músicas.

Estes números com três dígitos até que são pouco para meus objetivos. Nos dias de hoje tem muita gente aí que num espirro me ultrapassa em quantidade. Mas são bastante para quem começou agora e tem só sete meses de divulgação.

Fico pensando na quantidade de pessoas que já ouviu minha música. E agradeço bastante a esta dádiva da internet. Fico pensando também no esquema das "fichinhas de telefônicas" do Francisco, pai da dupla Zezé e Luciano. Quantas foram as pessoas que ligaram pra rádio para pedir "É o amor"? Ñão me lembro exatamente se no filme essa quantidade aparece.
Mas eu me pergunto: quantos views são sinônimo de sucesso?

Espero que não custe a ter números de cinco dígitos. Mas aí eu vou estar querendo milhões.

E o último video a bater os 1000 views! Quebrupasso ao vivo!


sábado, 4 de agosto de 2012

Talento, pra mim, é chocolate!

Nos preparativos para o meu primeiro show em São Paulo, estou envolvida também com a burocracia da OMB. Para quem não sabe, para a realização de show as casas mais sérias (como o SESC) pedem uma nota contratual da OMB - visando proteger os direitos dos músicos em receber seu cachet. Isso não é nada que a gente não resolva, mas me incitou a trazer a tona aqui no blog a difícil questão da OMB.

Existe uma discussão muito profunda acerca da existência deste órgão e acho que ela está sendo levada para o lado errado. Os músicos estão lutando para exercer a profissão livremente - isso significa, sem a obrigatoriedade de filiação a Ordem dos Músicos do Brasil. Mas eu vejo duas coisas muito erradas no discurso.

A primeira é a história de que a OMB tem que acabar. As pessoas (principalmente os músicos e juristas envolvidos na discussão) não entendem que a existência da OMB e do Sindicato visam a proteção aos músicos... e se acabarem estes órgãos, seria um retrocesso tremendo em relação as conquistas trabalhistas da regulamentação da profissão de músico. A OMB tem sim é que ser reformulada, totalmente.

Começando pelo exame que é aplicado para a obtenção da carteira. Os critérios para auferir se alguém é músico profissional têm que ser muito mais sérios, nos âmbitos técnico e artístico. Sei que o que delimita um músico profissional de um músico amador é uma linha muito tênue e que tem mais a ver com o dia-a-dia da pessoa do que necessariamente com a sua qualidade de execução musical. Porém, se a prova da OMB aumenta o nível de dificuldade, tenho certeza de que o nível da classe é fortalecido como um todo. O ideal seria que o candidato precisasse, no mínimo, se preparar pra fazer a prova - que não acontece na atual gestão.

Outra questão precária são os benefícios que a OMB deveria oferecer, mas que disponibiliza para os músicos do jeito mais capenga possível. Um exemplo trágico é a assistência médica. A OAB, por exemplo, tem convenios com bons planos de saúde para seus associado, entre outros benefícios. A OMB dá atendimento médico em um dia da semana específico com um médico no Rio de Janeiro. Ou seja, passou mal fora do dia específico do atendimento, azar o seu.

Sei também que por trás das eleições na OMB existem muitas falcatruas, mas eu não estou aqui para fazer acusações. Prefiro me ater aos casos que eu conheço de verdade.

Por fim, o outro lado do discurso que me irrita muito é a questão do talento. Esse papo de que o músico é uma pessoa tocada por Deus e que tem um talento sublime já deveria ter morrido junto com Beethoven, que foi o rei do marketing pessoal e fez o nome em cima dessa história.

É claro que o músico tem que ter aptidão para a arte. Não há dúvidas. Mas o médico também tem que ter um talento especial para curar as pessoas, que vai além do preparo técnico. E assim é em toda profissão. Se você não leva jeito pra coisa, um abraço!

A ministra do STF Ellen Gracie, que é relatora do processo que discute o tal livre exercício da profissão, declarou que “A música é uma arte, é algo sublime, próximo da divindade. Tem-se talento para a música ou não se tem”. E ainda completou dizendo que ela mesma, não tem talento algum.
Mal sabe ela que provavelmente se acha incapaz de fazer música porque não teve educação musical na escola - mas isso é outra discussão mais profunda ainda...

Pra terminar: eu acho esse discurso um saco! Afinal, se estamos tão próximos da divindade assim, porque é que ganhamos tão pouco, tão mal e sem perspectiva nenhuma de futuro?

Se os músicos são semi-deuses nestas condições, o que não faríamos se resolvêssemos ser juízes do supremo...

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Oh, Minas Gerais!

Faz um mês que eu decidi embarcar na empreitada mais ousada de toda a história do lançamento desde disco. Conversando com amigos músicos, fui muito incentivada a fazer shows fora do Rio e logo tratei de executar o plano de me apresentar em outras terras.
Liguei pra BH e consegui marcar um show no respeitado espaço do Palácio das Artes, na Sala Juvenal Dias que me pareceu do tamanho ideal para o perfil do meu show.
E a partir da marcação do show, começaram as semanas de maior tensão do ano. Afinal, eu estava dando um tiro no escuro. Marquei um show sem ter garantia nenhuma de nada, mas tratei de fazer meu trabalho bem feito.
Comprei passagem, reservei hotel, van, aluguei som, garanti a alimentação dos músicos e comecei a fazer minha própria assessoria de imprensa. E na última coisa, da qual eu esperava menores resultados, tive um saldo bastante positivo. Foram duas entrevistas na Rádio Inconfidência (a estação que promove música brasileira de alto nível em BH),  matérias e notas em jornais impressos e on-line como O Tempo, Hoje em Dia, Veja BH e Estado de Minas, além da divulgação em sites de eventos como o Sou BH.
Pois bem, o terreno estava preparado.
Chegamos lá e tudo correu muitissimo bem. A viagem foi tranquila, o dia estava lindo, fazia sol (ao contrario do frio que era prometido) e tudo correu dentro do horário previsto.
Mas, como existe o imponderável, a Parada Gay de BH aconteceu exatamente no dia, horário e na rua onde seria meu show. Resultado: trânsito, caos urbano e grande parte do publico teve dificuldades em chegar. Porem, não foi isso que estragou nossa alegria em estar no palco e fizemos um dos nossos melhores shows!








Pra completar a alegria, foi o primeiro show assistido pelo Daniel (produtor do disco, lembram dele?). Ele veio passar ferias no Rio e calhou de estar por aqui na época do show. Foi muito bacana poder mostrar a ele o resultado do nosso trabalho ao vivo pós-gravação - e ainda tivemos a sorte de tê-lo como técnico de som... o que melhorou muito as  nossas condições de trabalho!

Próximo passo: Teatro Café Pequeno!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Começaria tudo outra vez

Aposto que depois do último post, está todo mundo pensando que eu estou cabisbaixa por aí, reclamando da vida de artista independente. Ledo engano! Hoje estou mais serelepe do que nunca.

Como eu já disse no post anterior, é sabido que dias de calmaria se alternam aos dias de vendaval. E tenho certeza de que essa coisa toda não seria tão emocionante se não fosse esse eterno pêndulo entre sim e não. Mas nesta semana tive alguns resultados positivos que me alegraram demais. Ouso dizer que estou tão feliz hoje quanto eu me sentia no primeiro dia de gravações do disco.

A primeira grande alegria foi participar do show do Sargento Pimenta na Fundição Progresso, ao lado de taaaantos amigos! De quebra, conheci o Pedro Luis, artista que admiro demais e que é gente finíssima e me contou que ouviu o CD que eu dei pra ele e curtiu!


E pra completar a alegria, a agenda de shows está lotada até setembro. Todos os shows produzidos e marcados por mim mesma, com muita correria, burocracia e esforço, além do auxílio de pessoas boníssimas que encontrei pelo caminho. Acho que conseguir produzir estes shows de lançamento é uma vitória tão grande quanto ter produzido o disco. Arrisco dizer que é uma empreitada até mais difícil.
Afinal, no estúdio, com bastante planejamento e bons ensaios, você até consegue controlar o resultado. Mas, na hora que o disco sai por aí pra ganhar o mundo é que o bicho pega. Você tem que contar com a boa vontade e competencia de pessoas que, em sua maioria, você nunca viu na vida. (Por exemplo, apesar de eu ter um assessor de imprensa maravilhoso, não saiu nenhuma crítica do disco - todos os lançamentos de grandes gravadoras (que ainda existem) entraram na fila e passaram minha frente ne ?).  E também tem que contar com o disco, porque, afinal, se o contratante não gostar do som, nada feito.
E foi na total cara de pau e confiança no meu som que eu conquistei coisas importantes. Pra começar, passei no edital do Circuito das Artes, da Secretaria de Cultura do RJ. Com o auxílio luxuoso de Drica Voivodic (uma expert nos projetos), conseguimos uma aprovação que vai patrocinar três shows no interior do estado, e vai me dar a oportunidade de voltar a São João da Barra, lugar onde meus avós se casaram e onde meu pai nasceu.
Depois, consegui dois feitos que eu considero tremendos! Marquei um show em BH em julho e um em São Paulo, em agosto. Tudo na base do telefonema corajoso e no lema "Google é meu pastor, nada me faltará".  Pesquisei quais eram os lugares bacanas para me apresentar nestas cidades, passei a mão no telefone, catei o email dos produtores e mandei o material.
E qual não foi minha surpresa em ter respostas positivas dizendo: "Gostei. E aí, vamos marcar?".
Sendo eu uma artista independente, desconhecida e minha própria produtora, estes shows não são fruto da indicação do poderoso-não-sei-quem ou do conxavo e lábia do meu "produtor" pra cima de não-sei-quem-mais. O pessoal ouviu, gostou e pronto.
Nada pode ser mais reconfortante do que saber que o meu som basta para conseguir agendar shows. E hoje, com todos estes resultados tão bacanas, olho pra trás e afirmo sem sombra de dúvidas que começaria tudo outra vez. Em setembro terão sido 11 shows em 5 meses. Parece bom, né?
Agora, resta saber como o público de cada cidade que vou visitar vai reagir! Mas isto com certeza será tema de próximos posts... enquanto isso, vou me preparando para a Expedição BH !

Em breve, mando notícias.

 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Eu quero a alma de um cantor de bar vazio...

Tenho estado muito animada por todos os shows que tenho na agenda e pelo relativo sucesso que estou tendo na empreitada de lançamento deste primeiro disco. É claro que nem tudo são flores e volta e meia bate um pessimismo porque nem sempre o esforço que eu invisto na produção dá o retorno que eu esperava.

Pois bem, hoje cantei no Sergio Porto pela primeira vez, depois de ter cantado na semana passada no Centro de Referência da Música Carioca. 

O show tinha tudo pra "bombar"... uma casa ótima, na Zona Sul do Rio, sexta feira a noite, uma lista amiga que não parava de crescer. 

E eis que estiveram presentes cerca de quarenta pessoas.

Pra muitos isto pode ser considerado um fracasso, mas é uma cena comum na luta do artista independente. E não tem nada a ver com o preço, o horario, o lugar ou o som do artista ser um saco - e eu não tomo isso como ofensa, nem me sinto diminuída.

Pelo que vejo, no Rio de Janeiro, isso é falta de costume. O carioca não tem o costume de ir aos lugares para conhecer coisas novas e consumir cultura sem ser na onda das "modinhas". Se é de graça, na rua, tem cerveja e gatinhas, a galera ouve até Bach.

Mas, não estou aqui pra ficar reclamando disso. Voltemos ao tema: o fato é que depois do show saímos todos para comer aquela pizza entre amigos e os musicos começaram a debater justamente esta questão do show vazio.

Calculando friamente, realmente é mais facil alcançar muito mais pessoas (e a um custo muito mais baixo) através da internet. É só produzir um conteúdo bacana e divulgar. E tenho visto cada vez mais pessoas fazerem isso muito bem. 

Mas eu não acho que show serve só pra divulgar. Nem serve só pra vender disco. Nem serve só pra formar público.
Foto de Julia Guimarães 


Eu faço show pra mim. Faço show porque preciso cantar. Preciso estar rodeada de gente conhecida e gente que nunca viu. Preciso ganhar abraço e parabéns no final - e até comer a pizza entre amigos.

O show não é o início, o fim, nem o meio. O show é um momento de aprendizado e experiência necessário na carreira de qualquer artista. E por mais que haja alternativas excelentes de interação com o público (como este papo que estou tendo com vocês agora), nada substitui a presença.

Por fim, encerro citando meu amigo e compositor Vinicius Castro, que por acaso estava comendo pizza comigo depois do show, e discutindo o mesmo assunto: 
"Quero a alma de um cantor de bar vazio que insiste em cantar."



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Meu primeiro clip!

Foi-se o tempo em que o Disk MTV era o programa mais assistido por mim na TV. Eu chegava do colégio doida pra assistir aos clipes que estavam na "parada de sucessos" e meu sonho era ser VJ - afinal, todos eles eram jovens, bonitos, descolados e se portavam bem como ninguém diante de uma tela verde com projeções louquíssimas.

E não era só este programa que fazia parte da minha programação preferida. Eu adorava o "Piores Clipes do Mundo" (época áurea do Marcos Mignon na TV) e mais tarde, também passei a assistir ao "Top Top". E em todos estes programas, o foco era o clip!

Diferente das superproduções protagonizadas por cantores como "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura" e os clássicos filmes dos Beatles, o clip é um formato de vídeo mais acessível e uma forma mais rápida de chegar ao lar de cada fã. Mas o que mais me atrai na idéia do clip é a possibilidade de interpretar uma canção de uma forma que seria impossível durante um show ao vivo. O clip é a chance de transformar sons e palavras em imagens - e isso dá muito pano pra manga!

Não sei como anda a MTV atualmente- afinal, na minha TV ultimamente só tenho tido tempo de assistir aos clássicos episódios de Friends reprisados pela milhonésima vez na Warner- mas sei que muita coisa mudou depois que os clips passaram a ser lançados na internet e agora correm o mundo a uma velocidade assombrosa.

E não é que depois de sonhar em ser VJ, eu me aventurei a ser estrela de um clip?
Eu tinha uma música gravada no disco que fala sobre uma caminhada, uma pessoa em busca de suas origens e que remete ao amor pelo nosso país- o que facilitou a criação de uma narrativa visual simples e completa. Eu tinha um amigo talentoso e profissional, disposto a entrar nesta empreitada comigo. Eu tinha um carro para ir a Maricá. E foi assim que fizemos.

Fotos do making of:
(Sidney Dore e Ricardo Pentagna)

(Yuri atacando de assistente de produção)

(Luiza Sales, sombra e água fresca)

O resultado foi o clip de "Simples Baião". Dirigido por Ricardo Pentagna, com a assistencia de Sidney Dore e montagem de Alan Ribeiro (além da presença constante do meu Yuri Villar fazendo toda a produção possível e impossível) e como tudo na produção deste trabalho, ele foi feito em tempo record: filmado em apenas um dia!

Muita gente perguntou sobre a locação. Esta paisagem incrível fica a apenas 1h de carro do Rio: a Restinga de Maricá. Um lugar que tem sido o foco das atenções de diversos grupos ambientalistas, por ser um ecossistema rico que precisa de cuidado antes que seja completamente destruído pelo homem. Que nestas lindas imagens, aliadas à letra da música, fique registrado o alerta.

Com vocês, meu primeiro clip! Assitam em HD!





sábado, 2 de junho de 2012

Canta, canta minha gente!

Esta semana trabalhei demais. Além das aulas regulares e de novos alunos de canto, tive ensaios... muitos ensaios! Todos para participar de um projeto incrível, já pela segunda vez.

O Brasil Vocal é um evento realizado pelo CCBB do Rio de Janeiro e é o melhor espaço que a música vocal tem por aqui na atualidade. Já falei por aqui que minha formação musical teve parte em orquestras e no estudo do violino, mas para quem não sabe, eu também sou cria da música coral.

Com 8 anos entrei no Coral do Colégio Zaccaria e depois participei do São Vicente a Cappella, onde vivi 6 dos melhores anos da minha vida. O primeiro grupo vocal do qual fiz parte foi o saudoso Conversa Fiada, quando eu tinha 14 anos. Depois, comecei a dirigir e fazer arranjos para o Cantaventos, grupo com o qual tive uma história feliz e com algumas conquistas bem bacanas, para um grupo com integrantes de idade entre 15 e 17 anos... no final das contas, cheguei ao Ordinarius, grupo que hoje tenho a alegria de produzir também, na preparação para o lançamento do nosso primeiro CD (que chega ainda esse ano!).



Pois bem, voltando ao evento de hoje, além de oferecer oficinas, palestras e uma série de shows de grupos vocais super bacanas de todo o país, o Brasil Vocal promove dois concursos: o de arranjo vocal e o de grupos vocais.

Ano passado, fiz parte do grupo de cantores contratados para cantar os arranjos concorrentes na etapa final do concurso. Foi uma experiência incrível, onde pude conviver com cantores que admiro e que tenho a sorte de chamar de amigos. Este ano, além de participar de novo como intérprete dos arranjos escritos por músicos de todo o Brasil, vou participar do concurso de grupos vocais com o Ordinarius. Uma dobradinha que me deu muita alegria mas também muito trabalho nas últimas semanas!

E no Ordinarius, ainda tivemos dobradinha nos arranjos, porque Augusto Ordine e André Miranda, que são cantores do grupo, também participam como arranjadores concorrentes! Uma felicidade só.

Hoje tem a final do Concurso de Arranjo e amanhã a final do Concurso de Grupos Vocais.

Que tal aparecer por lá? Às 19h no Auditório do CCBB!

Para conhecer melhor o grupo vocal Ordinarius, visite: www.ordinarius.com.br