terça-feira, 28 de agosto de 2012

O gênio que eu quero ser.

Sei que em outro post, no qual eu debatia a visão jurídica a respeito da profissão de músico, eu falei que o papo da "genialidade" deveria ter morrido junto com Beethoven, o maior músico marketeiro de todos os tempos.
 
Mas hoje estou aqui para me contradizer.
 
Ontem fui ao show do Lenine, que está lançando o novo trabalho dele, "Chão". Já fui a três shows do cara, já ouvi todos os discos e sou bastante fã. Mas, como os shows eram sempre naquele clima mais quente, não pude ter antes a visão que ficou clara para mim só ontem.
 
Ao contrário de tudo o que eu possa ter dito antes: Lenine é gênio. E digo mais: o gênio que eu quero ser.
 
Afinal, pra mim, ele é o pacote completo. Grande compositor, tanto nas letras quanto nas melodias e harmonias. Grande intérprete, que domina tanto a voz, quanto o violão - instrumento através do qual ele imprime uma marca inconfundível. Além de ter um timing incrível para montar o repertório dos shows e de ter discos que são obras completas - e de fazer tudo com uma qualidade técnica impecável, tanto no processo de gravações quanto nos shows.
 
Mas o que o Lenine realmente tem de especial é dominar o conceito da sua própria arte. Ouvindo os discos na ordem cronológica dá pra perceber que ele quer chegar a algum lugar, que ele está burilando sua arte, correndo atrás de um objetivo estético - em vez de fazer uma sequência de trabalhos sem qualquer relação entre si.
 
E, pelo show de ontem, deu pra ver que ele está chegando lá.
 
E é nisso que reside sua genialidade: uma busca profunda, sem pressa, sem medo. E é assim que eu gostaria que fosse a minha carreira.
 
Pra terminar o papo, Lenine cantando uma composição do meu amigo Vinicius Castro, para a campanha nacional "Ser Diferente É Normal".
 
 
 
 
 

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Amor em SP.

Muitos amigos ficam chocados quando eu digo que nunca passei muito tempo na terra da garoa. As duas vezes em que passei por lá, estava em turnês do Coral São Vicente a Cappella, do qual fiz parte por seis felizes anos.

Estive lá para cantar e só. Pá, pum.

E desta vez não vai ser diferente. Na quinta feira eu viajo para fazer minha estréia em São Paulo, lançando o Breve Leveza por lá. E volto logo na sexta, porque aqui na cidade maravilhosa a vida e o trabalho continuam a pleno vapor.

Embora seja uma visitinha rápida à Sampa eu estou muito ansiosa. Não só pela grande estréia, mas porque considero este show tão importante quanto o primeiro lançamento que fiz, em abril, no Oi Futuro de Ipanema. E por dois motivos. Primeiro, porque o lugar onde vamos fazer o show é reconhecido por músicos de todo o país como uma casa de excelência.

Mesmo entre o grupo de amigos músicos que se juntam para "malhar" sem o menor pudor aquelas casas de show que não têm respeito pelos artistas, os teatros do SESC de São Paulo estão sempre na "lista branca". Equipamento de qualidade, equipe técnica responsável, cachê respeitoso e um público cativo. Espero não frustrar minhas expectativas em me apresentar neste lugar tão elogiado.

E o segundo motivo, razão da minha maior expectativa, está no público. Vou rever amigos que saíram daqui para lá, a começar pela grande pessoa que está sendo o produtor local deste show, o Vicente Reis. Nós cantamos no supracitado (ai, que palavra jurídica!) coro São Vicente a Cappella... e ele esteve comigo nestas tais viagens a São Paulo. E além dele, colegas dos tempos do colégio, que hoje são adultos crescidos e bem sucedidos por lá.

E o mais legal é que vou ver muita gente pela primeira vez ao vivo. Entre estas pessoas estão três que eu gostaria de citar, mais especificamente.
A primeira é o Diogo Batalha... nos conhecemos pela internet (sim!) no início dos anos 2000... e sempre nos correspondemos. A vida fez e aconteceu, e ele também é um dos responsáveis por este show estar acontecendo.
(A gente já se viu umas duas vezes, e só. Vai ser como se fosse a primeira de novo!)
A segunda pessoa é a Renata Damico, uma "fã" (se é que posso chamar assim, já que eu não estou com essa bola toda) que desde o começo curtiu meu trabalho na internet e graças ao apoio que ela vem dando, ganhou CD autografado e tudo. E vai receber o CD no palco, só pra rolar um mico de promoção.
E a terceira pessoa é o Di Pietro Lavanini, do site especializado em música Jardim da MPB. Ele conseguiu a proeza de me entrevistar sem sequer ter me visto e me dá o maior apoio divulgando o meu som!

Deixo vocês com a entrevista para o Jardim da MPB e com a promessa de postar fotos com estas pessoas queridas!


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Vamos falar de números?

Há quem diga que músico não leva jeito pra matemática e há quem diga que música e matemática têm tudo a ver - que o digam os compositores do dodecafonismo com sua fixação por séries de fibonacci e proporção áurea (se você não entendeu nada, procure saber).
Mas tenho procurado acompanhar os números do lançamento do meu disco pela internet, e tenho ficado feliz com o resultado.

Este blog que você lê já teve pra lá de 6.000 visitas. Meus vídeos no Youtube já somam mais de 30.000 visualizações. No Facebook são 1.200 seguidores compartilhando meus posts. E no Soundcloud são mais de 4.000 audições das minhas músicas.

Estes números com três dígitos até que são pouco para meus objetivos. Nos dias de hoje tem muita gente aí que num espirro me ultrapassa em quantidade. Mas são bastante para quem começou agora e tem só sete meses de divulgação.

Fico pensando na quantidade de pessoas que já ouviu minha música. E agradeço bastante a esta dádiva da internet. Fico pensando também no esquema das "fichinhas de telefônicas" do Francisco, pai da dupla Zezé e Luciano. Quantas foram as pessoas que ligaram pra rádio para pedir "É o amor"? Ñão me lembro exatamente se no filme essa quantidade aparece.
Mas eu me pergunto: quantos views são sinônimo de sucesso?

Espero que não custe a ter números de cinco dígitos. Mas aí eu vou estar querendo milhões.

E o último video a bater os 1000 views! Quebrupasso ao vivo!


sábado, 4 de agosto de 2012

Talento, pra mim, é chocolate!

Nos preparativos para o meu primeiro show em São Paulo, estou envolvida também com a burocracia da OMB. Para quem não sabe, para a realização de show as casas mais sérias (como o SESC) pedem uma nota contratual da OMB - visando proteger os direitos dos músicos em receber seu cachet. Isso não é nada que a gente não resolva, mas me incitou a trazer a tona aqui no blog a difícil questão da OMB.

Existe uma discussão muito profunda acerca da existência deste órgão e acho que ela está sendo levada para o lado errado. Os músicos estão lutando para exercer a profissão livremente - isso significa, sem a obrigatoriedade de filiação a Ordem dos Músicos do Brasil. Mas eu vejo duas coisas muito erradas no discurso.

A primeira é a história de que a OMB tem que acabar. As pessoas (principalmente os músicos e juristas envolvidos na discussão) não entendem que a existência da OMB e do Sindicato visam a proteção aos músicos... e se acabarem estes órgãos, seria um retrocesso tremendo em relação as conquistas trabalhistas da regulamentação da profissão de músico. A OMB tem sim é que ser reformulada, totalmente.

Começando pelo exame que é aplicado para a obtenção da carteira. Os critérios para auferir se alguém é músico profissional têm que ser muito mais sérios, nos âmbitos técnico e artístico. Sei que o que delimita um músico profissional de um músico amador é uma linha muito tênue e que tem mais a ver com o dia-a-dia da pessoa do que necessariamente com a sua qualidade de execução musical. Porém, se a prova da OMB aumenta o nível de dificuldade, tenho certeza de que o nível da classe é fortalecido como um todo. O ideal seria que o candidato precisasse, no mínimo, se preparar pra fazer a prova - que não acontece na atual gestão.

Outra questão precária são os benefícios que a OMB deveria oferecer, mas que disponibiliza para os músicos do jeito mais capenga possível. Um exemplo trágico é a assistência médica. A OAB, por exemplo, tem convenios com bons planos de saúde para seus associado, entre outros benefícios. A OMB dá atendimento médico em um dia da semana específico com um médico no Rio de Janeiro. Ou seja, passou mal fora do dia específico do atendimento, azar o seu.

Sei também que por trás das eleições na OMB existem muitas falcatruas, mas eu não estou aqui para fazer acusações. Prefiro me ater aos casos que eu conheço de verdade.

Por fim, o outro lado do discurso que me irrita muito é a questão do talento. Esse papo de que o músico é uma pessoa tocada por Deus e que tem um talento sublime já deveria ter morrido junto com Beethoven, que foi o rei do marketing pessoal e fez o nome em cima dessa história.

É claro que o músico tem que ter aptidão para a arte. Não há dúvidas. Mas o médico também tem que ter um talento especial para curar as pessoas, que vai além do preparo técnico. E assim é em toda profissão. Se você não leva jeito pra coisa, um abraço!

A ministra do STF Ellen Gracie, que é relatora do processo que discute o tal livre exercício da profissão, declarou que “A música é uma arte, é algo sublime, próximo da divindade. Tem-se talento para a música ou não se tem”. E ainda completou dizendo que ela mesma, não tem talento algum.
Mal sabe ela que provavelmente se acha incapaz de fazer música porque não teve educação musical na escola - mas isso é outra discussão mais profunda ainda...

Pra terminar: eu acho esse discurso um saco! Afinal, se estamos tão próximos da divindade assim, porque é que ganhamos tão pouco, tão mal e sem perspectiva nenhuma de futuro?

Se os músicos são semi-deuses nestas condições, o que não faríamos se resolvêssemos ser juízes do supremo...