segunda-feira, 23 de julho de 2012

Oh, Minas Gerais!

Faz um mês que eu decidi embarcar na empreitada mais ousada de toda a história do lançamento desde disco. Conversando com amigos músicos, fui muito incentivada a fazer shows fora do Rio e logo tratei de executar o plano de me apresentar em outras terras.
Liguei pra BH e consegui marcar um show no respeitado espaço do Palácio das Artes, na Sala Juvenal Dias que me pareceu do tamanho ideal para o perfil do meu show.
E a partir da marcação do show, começaram as semanas de maior tensão do ano. Afinal, eu estava dando um tiro no escuro. Marquei um show sem ter garantia nenhuma de nada, mas tratei de fazer meu trabalho bem feito.
Comprei passagem, reservei hotel, van, aluguei som, garanti a alimentação dos músicos e comecei a fazer minha própria assessoria de imprensa. E na última coisa, da qual eu esperava menores resultados, tive um saldo bastante positivo. Foram duas entrevistas na Rádio Inconfidência (a estação que promove música brasileira de alto nível em BH),  matérias e notas em jornais impressos e on-line como O Tempo, Hoje em Dia, Veja BH e Estado de Minas, além da divulgação em sites de eventos como o Sou BH.
Pois bem, o terreno estava preparado.
Chegamos lá e tudo correu muitissimo bem. A viagem foi tranquila, o dia estava lindo, fazia sol (ao contrario do frio que era prometido) e tudo correu dentro do horário previsto.
Mas, como existe o imponderável, a Parada Gay de BH aconteceu exatamente no dia, horário e na rua onde seria meu show. Resultado: trânsito, caos urbano e grande parte do publico teve dificuldades em chegar. Porem, não foi isso que estragou nossa alegria em estar no palco e fizemos um dos nossos melhores shows!








Pra completar a alegria, foi o primeiro show assistido pelo Daniel (produtor do disco, lembram dele?). Ele veio passar ferias no Rio e calhou de estar por aqui na época do show. Foi muito bacana poder mostrar a ele o resultado do nosso trabalho ao vivo pós-gravação - e ainda tivemos a sorte de tê-lo como técnico de som... o que melhorou muito as  nossas condições de trabalho!

Próximo passo: Teatro Café Pequeno!

terça-feira, 10 de julho de 2012

Começaria tudo outra vez

Aposto que depois do último post, está todo mundo pensando que eu estou cabisbaixa por aí, reclamando da vida de artista independente. Ledo engano! Hoje estou mais serelepe do que nunca.

Como eu já disse no post anterior, é sabido que dias de calmaria se alternam aos dias de vendaval. E tenho certeza de que essa coisa toda não seria tão emocionante se não fosse esse eterno pêndulo entre sim e não. Mas nesta semana tive alguns resultados positivos que me alegraram demais. Ouso dizer que estou tão feliz hoje quanto eu me sentia no primeiro dia de gravações do disco.

A primeira grande alegria foi participar do show do Sargento Pimenta na Fundição Progresso, ao lado de taaaantos amigos! De quebra, conheci o Pedro Luis, artista que admiro demais e que é gente finíssima e me contou que ouviu o CD que eu dei pra ele e curtiu!


E pra completar a alegria, a agenda de shows está lotada até setembro. Todos os shows produzidos e marcados por mim mesma, com muita correria, burocracia e esforço, além do auxílio de pessoas boníssimas que encontrei pelo caminho. Acho que conseguir produzir estes shows de lançamento é uma vitória tão grande quanto ter produzido o disco. Arrisco dizer que é uma empreitada até mais difícil.
Afinal, no estúdio, com bastante planejamento e bons ensaios, você até consegue controlar o resultado. Mas, na hora que o disco sai por aí pra ganhar o mundo é que o bicho pega. Você tem que contar com a boa vontade e competencia de pessoas que, em sua maioria, você nunca viu na vida. (Por exemplo, apesar de eu ter um assessor de imprensa maravilhoso, não saiu nenhuma crítica do disco - todos os lançamentos de grandes gravadoras (que ainda existem) entraram na fila e passaram minha frente ne ?).  E também tem que contar com o disco, porque, afinal, se o contratante não gostar do som, nada feito.
E foi na total cara de pau e confiança no meu som que eu conquistei coisas importantes. Pra começar, passei no edital do Circuito das Artes, da Secretaria de Cultura do RJ. Com o auxílio luxuoso de Drica Voivodic (uma expert nos projetos), conseguimos uma aprovação que vai patrocinar três shows no interior do estado, e vai me dar a oportunidade de voltar a São João da Barra, lugar onde meus avós se casaram e onde meu pai nasceu.
Depois, consegui dois feitos que eu considero tremendos! Marquei um show em BH em julho e um em São Paulo, em agosto. Tudo na base do telefonema corajoso e no lema "Google é meu pastor, nada me faltará".  Pesquisei quais eram os lugares bacanas para me apresentar nestas cidades, passei a mão no telefone, catei o email dos produtores e mandei o material.
E qual não foi minha surpresa em ter respostas positivas dizendo: "Gostei. E aí, vamos marcar?".
Sendo eu uma artista independente, desconhecida e minha própria produtora, estes shows não são fruto da indicação do poderoso-não-sei-quem ou do conxavo e lábia do meu "produtor" pra cima de não-sei-quem-mais. O pessoal ouviu, gostou e pronto.
Nada pode ser mais reconfortante do que saber que o meu som basta para conseguir agendar shows. E hoje, com todos estes resultados tão bacanas, olho pra trás e afirmo sem sombra de dúvidas que começaria tudo outra vez. Em setembro terão sido 11 shows em 5 meses. Parece bom, né?
Agora, resta saber como o público de cada cidade que vou visitar vai reagir! Mas isto com certeza será tema de próximos posts... enquanto isso, vou me preparando para a Expedição BH !

Em breve, mando notícias.

 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Eu quero a alma de um cantor de bar vazio...

Tenho estado muito animada por todos os shows que tenho na agenda e pelo relativo sucesso que estou tendo na empreitada de lançamento deste primeiro disco. É claro que nem tudo são flores e volta e meia bate um pessimismo porque nem sempre o esforço que eu invisto na produção dá o retorno que eu esperava.

Pois bem, hoje cantei no Sergio Porto pela primeira vez, depois de ter cantado na semana passada no Centro de Referência da Música Carioca. 

O show tinha tudo pra "bombar"... uma casa ótima, na Zona Sul do Rio, sexta feira a noite, uma lista amiga que não parava de crescer. 

E eis que estiveram presentes cerca de quarenta pessoas.

Pra muitos isto pode ser considerado um fracasso, mas é uma cena comum na luta do artista independente. E não tem nada a ver com o preço, o horario, o lugar ou o som do artista ser um saco - e eu não tomo isso como ofensa, nem me sinto diminuída.

Pelo que vejo, no Rio de Janeiro, isso é falta de costume. O carioca não tem o costume de ir aos lugares para conhecer coisas novas e consumir cultura sem ser na onda das "modinhas". Se é de graça, na rua, tem cerveja e gatinhas, a galera ouve até Bach.

Mas, não estou aqui pra ficar reclamando disso. Voltemos ao tema: o fato é que depois do show saímos todos para comer aquela pizza entre amigos e os musicos começaram a debater justamente esta questão do show vazio.

Calculando friamente, realmente é mais facil alcançar muito mais pessoas (e a um custo muito mais baixo) através da internet. É só produzir um conteúdo bacana e divulgar. E tenho visto cada vez mais pessoas fazerem isso muito bem. 

Mas eu não acho que show serve só pra divulgar. Nem serve só pra vender disco. Nem serve só pra formar público.
Foto de Julia Guimarães 


Eu faço show pra mim. Faço show porque preciso cantar. Preciso estar rodeada de gente conhecida e gente que nunca viu. Preciso ganhar abraço e parabéns no final - e até comer a pizza entre amigos.

O show não é o início, o fim, nem o meio. O show é um momento de aprendizado e experiência necessário na carreira de qualquer artista. E por mais que haja alternativas excelentes de interação com o público (como este papo que estou tendo com vocês agora), nada substitui a presença.

Por fim, encerro citando meu amigo e compositor Vinicius Castro, que por acaso estava comendo pizza comigo depois do show, e discutindo o mesmo assunto: 
"Quero a alma de um cantor de bar vazio que insiste em cantar."



quinta-feira, 14 de junho de 2012

Meu primeiro clip!

Foi-se o tempo em que o Disk MTV era o programa mais assistido por mim na TV. Eu chegava do colégio doida pra assistir aos clipes que estavam na "parada de sucessos" e meu sonho era ser VJ - afinal, todos eles eram jovens, bonitos, descolados e se portavam bem como ninguém diante de uma tela verde com projeções louquíssimas.

E não era só este programa que fazia parte da minha programação preferida. Eu adorava o "Piores Clipes do Mundo" (época áurea do Marcos Mignon na TV) e mais tarde, também passei a assistir ao "Top Top". E em todos estes programas, o foco era o clip!

Diferente das superproduções protagonizadas por cantores como "Roberto Carlos em Ritmo de Aventura" e os clássicos filmes dos Beatles, o clip é um formato de vídeo mais acessível e uma forma mais rápida de chegar ao lar de cada fã. Mas o que mais me atrai na idéia do clip é a possibilidade de interpretar uma canção de uma forma que seria impossível durante um show ao vivo. O clip é a chance de transformar sons e palavras em imagens - e isso dá muito pano pra manga!

Não sei como anda a MTV atualmente- afinal, na minha TV ultimamente só tenho tido tempo de assistir aos clássicos episódios de Friends reprisados pela milhonésima vez na Warner- mas sei que muita coisa mudou depois que os clips passaram a ser lançados na internet e agora correm o mundo a uma velocidade assombrosa.

E não é que depois de sonhar em ser VJ, eu me aventurei a ser estrela de um clip?
Eu tinha uma música gravada no disco que fala sobre uma caminhada, uma pessoa em busca de suas origens e que remete ao amor pelo nosso país- o que facilitou a criação de uma narrativa visual simples e completa. Eu tinha um amigo talentoso e profissional, disposto a entrar nesta empreitada comigo. Eu tinha um carro para ir a Maricá. E foi assim que fizemos.

Fotos do making of:
(Sidney Dore e Ricardo Pentagna)

(Yuri atacando de assistente de produção)

(Luiza Sales, sombra e água fresca)

O resultado foi o clip de "Simples Baião". Dirigido por Ricardo Pentagna, com a assistencia de Sidney Dore e montagem de Alan Ribeiro (além da presença constante do meu Yuri Villar fazendo toda a produção possível e impossível) e como tudo na produção deste trabalho, ele foi feito em tempo record: filmado em apenas um dia!

Muita gente perguntou sobre a locação. Esta paisagem incrível fica a apenas 1h de carro do Rio: a Restinga de Maricá. Um lugar que tem sido o foco das atenções de diversos grupos ambientalistas, por ser um ecossistema rico que precisa de cuidado antes que seja completamente destruído pelo homem. Que nestas lindas imagens, aliadas à letra da música, fique registrado o alerta.

Com vocês, meu primeiro clip! Assitam em HD!





sábado, 2 de junho de 2012

Canta, canta minha gente!

Esta semana trabalhei demais. Além das aulas regulares e de novos alunos de canto, tive ensaios... muitos ensaios! Todos para participar de um projeto incrível, já pela segunda vez.

O Brasil Vocal é um evento realizado pelo CCBB do Rio de Janeiro e é o melhor espaço que a música vocal tem por aqui na atualidade. Já falei por aqui que minha formação musical teve parte em orquestras e no estudo do violino, mas para quem não sabe, eu também sou cria da música coral.

Com 8 anos entrei no Coral do Colégio Zaccaria e depois participei do São Vicente a Cappella, onde vivi 6 dos melhores anos da minha vida. O primeiro grupo vocal do qual fiz parte foi o saudoso Conversa Fiada, quando eu tinha 14 anos. Depois, comecei a dirigir e fazer arranjos para o Cantaventos, grupo com o qual tive uma história feliz e com algumas conquistas bem bacanas, para um grupo com integrantes de idade entre 15 e 17 anos... no final das contas, cheguei ao Ordinarius, grupo que hoje tenho a alegria de produzir também, na preparação para o lançamento do nosso primeiro CD (que chega ainda esse ano!).



Pois bem, voltando ao evento de hoje, além de oferecer oficinas, palestras e uma série de shows de grupos vocais super bacanas de todo o país, o Brasil Vocal promove dois concursos: o de arranjo vocal e o de grupos vocais.

Ano passado, fiz parte do grupo de cantores contratados para cantar os arranjos concorrentes na etapa final do concurso. Foi uma experiência incrível, onde pude conviver com cantores que admiro e que tenho a sorte de chamar de amigos. Este ano, além de participar de novo como intérprete dos arranjos escritos por músicos de todo o Brasil, vou participar do concurso de grupos vocais com o Ordinarius. Uma dobradinha que me deu muita alegria mas também muito trabalho nas últimas semanas!

E no Ordinarius, ainda tivemos dobradinha nos arranjos, porque Augusto Ordine e André Miranda, que são cantores do grupo, também participam como arranjadores concorrentes! Uma felicidade só.

Hoje tem a final do Concurso de Arranjo e amanhã a final do Concurso de Grupos Vocais.

Que tal aparecer por lá? Às 19h no Auditório do CCBB!

Para conhecer melhor o grupo vocal Ordinarius, visite: www.ordinarius.com.br






sábado, 26 de maio de 2012

Por todo o canto.

Todo mundo sabe da importância de se ter pessoas que dêem bons exemplos por perto, principalmente durante a infância e adolescência - porque nesse começo de vida a gente molda o caráter, faz escolhas importantes e começa a entender o que é viver.
E essas pessoas que servem de modelo para nós geralmente estão na família ou na escola. A maioria das pessoas tem um professor inesquecível que mudou sua vida - para melhor ou para pior. Mas, apesar de ter tido excelentes professores na escola regular, eu encontrei meus verdadeiros mestres na música.
Foram pessoas que me ensinaram muito mais do que ler partituras, cantar afinado ou tocar um instrumento. Estas pessoas me ensinaram como é que se vive em sociedade, como é que um ser humano pode ser pleno, bom e feliz - e a música foi o veículo através do qual todas essas lições me foram passadas.
Hoje em dia, atuando também como professora, sinto o peso desta responsabilidade de ensinar a viver através da música - e muitas vezes acredito que esta tarefa seja árdua demais para mim.
Sei que as lições que a música ensina não foram fáceis de aprender e tenho certeza da difícil tarefa que é ensinar estas lições.

Ontem foi o dia de aprender mais uma lição. Perdemos uma pessoa que ensinou a mim e a tantos outros. Malu Cooper foi minha professora de canto, preparadora vocal e regente coral. Sempre nos contagiou com seu sorriso aberto, seu jeito carinhoso de tratar a todos e seus lindos olhos, brilhando sempre!
Malu lutou contra uma doença terrível sempre com bom humor e otimismo - e nunca abandonando a música, nem deixando de transformar outras pessoas através dela.

Ontem vi meus mestres chorando e senti o peso da saudade que uma pessoa assim deixa. Ontem vi a despedida que eu gostaria de ter para mim, quando for a minha vez de ir. Muitas e muitas pessoas que foram tocadas por uma presença em suas vidas e que fizeram questão de levar seu carinho, de demonstrar sua admiração.

Junto com a Malu, dei adeus a um pedaço importante da minha juventude. Estavam lá tantas gerações de cantores e sei que todos sentiam um pouco disso. Todo mundo queria cantar, mas ninguém sabia exatamente como começar. Chegamos a cantarolar algo tímido, baixinho. Mas a música nem sempre dá conta de tudo o que sentimos - e talvez fosse o momento de fazer mesmo uma pausa.

Obrigada, Malu, por todo o canto!


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Distribuição

É sempre peculiar o momento em que as crianças começam a se perguntar de onde vêm os bebês. Mais peculiares ainda são as histórias que os pais acabam inventando e reproduzindo sobre cegonhas, repolhos, flores, jardins e regadores. Mas depois que esta curiosidade é sanada, surgem  outros questionamentos muito mais difíceis  que acabam culminando no "quem sou? de onde vim? para onde vou?" - e certamente não há metáfora sobre regador nenhum que dê jeito nesta eterna dúvida existencial. 

Mas nós não estamos aqui para fazer terapia coletiva e sim para entender como funciona essa coisa toda de produzir um CD, certo?

É claro que muito sobre a origem dos CDs já foi elucidado aqui nos posts anteriores. Vivemos a emoção de escolher o repertório, chamar os músicos, ensaiar, gravar, mixar, masterizar... vivemos a nada emocionante burocracia nos cartórios, autorizações mil para enviar para a prensagem... vivemos as alegrias proporcionadas pela assessoria de imprensa...

Mas como é que os CDs chegarão ao público, afinal de contas?

Esta é uma fase do processo chamada distribuição. Você pode optar por contratar uma distribuidora (tipo de empresa cujo nome autoexplicativo me livra de especificar maiores detalhes) ou fazer a distribuição por conta própria.
O trabalho da distribuição consiste em fazer contato com as lojas de CDs e livrarias que vendam para o perfil de público que você quer atingir e negociar a venda dos discos. Geralmente o esquema é a consignação - você deixa os CDs lá e faz um contrato acordando quem vai ganhar quanto quando o CD for vendido. E depois a loja entra em contato para repassar a você o valor referente às vendas do seu produto.

Falando assim, parece até simples. Mas é uma relação que exige muita confiança. Afinal, você tem que confiar que o CD chegará as prateleiras (em vez de ficar encostado no estoque) e que  a real quantidade vendida será repassada a você.

É preciso escolher uma distribuidora séria, que tenha contatos bacanas e que fique de olho nas lojas para garantir que você receba direitinho pelas vendas do produto.

Eu escolhi a distribuição independente porque no meu orçamento não há fundos para contratar uma distribuidora. Mas, como sempre, contando com a ajuda de amigos e com a minha boa e velha cara de pau de sair por aí vendendo meu peixe, já consegui deixar o CD em duas lojas bem bacanas: Arlequim e Livraria da Travessa.

Outra forma de distribuição do CD que tem sido muito legal é a encomenda pelo Facebook. Os fãs que curtem a página estão pedindo e eu envio o CD pelo correio. É uma super comodidade para quem compra, pois o disco chega bonitinho em casa e uma bela garantia para mim, que estou vendo o dinheiro entrar sem passar pelas mãos de terceiros.

E você, já comprou o seu?