sábado, 26 de maio de 2012

Por todo o canto.

Todo mundo sabe da importância de se ter pessoas que dêem bons exemplos por perto, principalmente durante a infância e adolescência - porque nesse começo de vida a gente molda o caráter, faz escolhas importantes e começa a entender o que é viver.
E essas pessoas que servem de modelo para nós geralmente estão na família ou na escola. A maioria das pessoas tem um professor inesquecível que mudou sua vida - para melhor ou para pior. Mas, apesar de ter tido excelentes professores na escola regular, eu encontrei meus verdadeiros mestres na música.
Foram pessoas que me ensinaram muito mais do que ler partituras, cantar afinado ou tocar um instrumento. Estas pessoas me ensinaram como é que se vive em sociedade, como é que um ser humano pode ser pleno, bom e feliz - e a música foi o veículo através do qual todas essas lições me foram passadas.
Hoje em dia, atuando também como professora, sinto o peso desta responsabilidade de ensinar a viver através da música - e muitas vezes acredito que esta tarefa seja árdua demais para mim.
Sei que as lições que a música ensina não foram fáceis de aprender e tenho certeza da difícil tarefa que é ensinar estas lições.

Ontem foi o dia de aprender mais uma lição. Perdemos uma pessoa que ensinou a mim e a tantos outros. Malu Cooper foi minha professora de canto, preparadora vocal e regente coral. Sempre nos contagiou com seu sorriso aberto, seu jeito carinhoso de tratar a todos e seus lindos olhos, brilhando sempre!
Malu lutou contra uma doença terrível sempre com bom humor e otimismo - e nunca abandonando a música, nem deixando de transformar outras pessoas através dela.

Ontem vi meus mestres chorando e senti o peso da saudade que uma pessoa assim deixa. Ontem vi a despedida que eu gostaria de ter para mim, quando for a minha vez de ir. Muitas e muitas pessoas que foram tocadas por uma presença em suas vidas e que fizeram questão de levar seu carinho, de demonstrar sua admiração.

Junto com a Malu, dei adeus a um pedaço importante da minha juventude. Estavam lá tantas gerações de cantores e sei que todos sentiam um pouco disso. Todo mundo queria cantar, mas ninguém sabia exatamente como começar. Chegamos a cantarolar algo tímido, baixinho. Mas a música nem sempre dá conta de tudo o que sentimos - e talvez fosse o momento de fazer mesmo uma pausa.

Obrigada, Malu, por todo o canto!


quinta-feira, 24 de maio de 2012

Distribuição

É sempre peculiar o momento em que as crianças começam a se perguntar de onde vêm os bebês. Mais peculiares ainda são as histórias que os pais acabam inventando e reproduzindo sobre cegonhas, repolhos, flores, jardins e regadores. Mas depois que esta curiosidade é sanada, surgem  outros questionamentos muito mais difíceis  que acabam culminando no "quem sou? de onde vim? para onde vou?" - e certamente não há metáfora sobre regador nenhum que dê jeito nesta eterna dúvida existencial. 

Mas nós não estamos aqui para fazer terapia coletiva e sim para entender como funciona essa coisa toda de produzir um CD, certo?

É claro que muito sobre a origem dos CDs já foi elucidado aqui nos posts anteriores. Vivemos a emoção de escolher o repertório, chamar os músicos, ensaiar, gravar, mixar, masterizar... vivemos a nada emocionante burocracia nos cartórios, autorizações mil para enviar para a prensagem... vivemos as alegrias proporcionadas pela assessoria de imprensa...

Mas como é que os CDs chegarão ao público, afinal de contas?

Esta é uma fase do processo chamada distribuição. Você pode optar por contratar uma distribuidora (tipo de empresa cujo nome autoexplicativo me livra de especificar maiores detalhes) ou fazer a distribuição por conta própria.
O trabalho da distribuição consiste em fazer contato com as lojas de CDs e livrarias que vendam para o perfil de público que você quer atingir e negociar a venda dos discos. Geralmente o esquema é a consignação - você deixa os CDs lá e faz um contrato acordando quem vai ganhar quanto quando o CD for vendido. E depois a loja entra em contato para repassar a você o valor referente às vendas do seu produto.

Falando assim, parece até simples. Mas é uma relação que exige muita confiança. Afinal, você tem que confiar que o CD chegará as prateleiras (em vez de ficar encostado no estoque) e que  a real quantidade vendida será repassada a você.

É preciso escolher uma distribuidora séria, que tenha contatos bacanas e que fique de olho nas lojas para garantir que você receba direitinho pelas vendas do produto.

Eu escolhi a distribuição independente porque no meu orçamento não há fundos para contratar uma distribuidora. Mas, como sempre, contando com a ajuda de amigos e com a minha boa e velha cara de pau de sair por aí vendendo meu peixe, já consegui deixar o CD em duas lojas bem bacanas: Arlequim e Livraria da Travessa.

Outra forma de distribuição do CD que tem sido muito legal é a encomenda pelo Facebook. Os fãs que curtem a página estão pedindo e eu envio o CD pelo correio. É uma super comodidade para quem compra, pois o disco chega bonitinho em casa e uma bela garantia para mim, que estou vendo o dinheiro entrar sem passar pelas mãos de terceiros.

E você, já comprou o seu?

terça-feira, 15 de maio de 2012

Extra! Extra!

Há quem diga que foi-se o tempo dos jornais e rádios. O fim do tradicional Jornal do Brasil impresso é um forte sinal disso. Mas se engana quem acha que estes meios de comunicação perderam seu poder para a internet.
Nas últimas semanas estive bastante envolvida com a divulgação do meu trabalho em rádios e na mídia impressa. E quer saber? A reação do público tem sido clara: estar no rádio e no jornal é importante sim.

A internet continua sendo um lugar de convergência de todas essas informações, mas foi quando saí em reportagem na Veja Rio (depois de ter materias sobre mim publicadas em diversos blogs) que recebi milhares de parabenizações dos amigos e público.



O mesmo aconteceu com a minha participação no programa Faro MPB, da MPB Fm e no programa Sangue Novo, da Rádio Roquette Pinto.

(Para ouvir a minha participação no programa Sangue Novo da Rádio Roquette Pinto na íntegra:

Parece que estar no jornal e no rádio é uma espécie de validação do trabalho. Quando você é "publicado", você passa a existir. E não pense que é só o público que pensa assim, porque todos os editais de patrocínio para os quais eu me inscrevi até agora neste ano exigiam o "clipping" como um dos materiais obrigatórios a serem entregues - o que quer dizer que, se você não tem, azar o seu.

Fico muito satisfeita em poder divulgar meu trabalho de formas tão variadas. Depois destas participações nas rádios e notícias nos jornais, já  tive várias pessoas novas procurando comprar o CD e acessando o Facebook e o blog - e isso é um resultado incrível.
Espero continuar usando os meios de comunicação a meu favor. Sei que existe um monte de gente preguiçosa por aí que adora as respostas prontas das críticas publicadas e, em vez de ouvir o que gosta, ouve o que é "tendência". Mas isso é uma questão maior do que todos nós... e que fica pra depois.

Pra terminar, minha incursão pelas mídias também foi parar na televisão! Deixo com vocês a minha entrevista para o Programa Andante, da TV UERJ - que foi ao ar no canal 12 da Net Rio.

É só clicar aqui:



quarta-feira, 2 de maio de 2012

Minutos de fama.

Cena 1

Chegando em casa do trabalho, encontro as caixas com meus 900 CDs que faltavam chegar na entrada do prédio. Não se falava em outra coisa na portaria.
- O que é isso tudo?
- Ah, é o meu CD que chegou.
- Tudo isso? Quantos CDs tem aí?
- 900!
- Nossa! Vai ficar famosa.

Cena 2

Entrando com os 900 CDs no elevador, carregando as caixas, encontro a minha vizinha.
- O que é isso tudo?
- Ah, é o meu CD que chegou.
- Ah é! Te ouvi na rádio outro dia.

Cena 3

Entrando de novo em casa, o porteiro me chama.
- Ei, vem cá!
- Que foi, "Seu" Ferreira?
- Quanto é que tá?
- Quanto é que tá o que ?
- O Cd! Quero um.
- Ah, desço já já com um pra você.
- Tá bem. Mas ó: tem que ser autografado. Se não você fica famosa, some aí no mundo e nem lembra mais da gente!

segunda-feira, 30 de abril de 2012

A popozuda e a vanguarda.

Nesta semana não se fala em outra coisa. A nova música de Valesca Popozuda com a participação de Mr. Catra foi a ultima sensação do Facebook e Youtube. 
Apesar de não ser muito chegada à artista (artista?), fiz questão de conhecer a música porque sou uma artista (artista?) preocupada com o que acontece ao meu redor e tenho a convicção de que aprendemos igualmente com o que achamos bom e ruim.
Pois bem, o que eu aprendi com essa música - além de novas formas de usar as palavras da maneira mais explícita possível para descrever o ato sexual - é que eu não entendo nada.
Isso mesmo. Quem se apropria do discurso de Caetano hoje é Valesca Popozuda. Ao ser alvo de críticas por falar palavrões, ela deu uma cartada sensacional nos chamando a todos de burros. 
Do alto de suas roupas mínimas e coladas, Valesca Popozuda me faz sentir uma imbecil.
"Vocês não estão entendendo nada!" - imagino ela dizendo. E continua: "Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado!".

Daqui a 30 anos, certamente haverá nas estantes empoeiradas das universidades mais bem conceituadas teses e dissertações que dirão algo parecido com o que direi a seguir. 
Iniciemos, portanto, a análise.

1)Valesca Popozuda é a vanguarda. Nelson Rodrigues e seus conteúdos "chocantes" já ficaram ultrapassados.

2) Valesca Popozuda é herdeira da antropofagia. 
Diz o Manifesto Antropófago:
"Só me interessa o que não é meu. Lei do homem. Lei do antropófago.
Estamos fatigados de todos os maridos católicos suspeitosos postos em drama."

Diz Valesca Popozuda, 84 anos depois:

"Eu sei que você já é casado, mas me diz o que fazer
Porque quando a p***** tem dona é que vem a vontade de f****"

3)Valesca Popozuda propõe ainda uma revolução estilística na escrita. O sexo é uma temática literário-musical presente na arte desde tempos imemoriais. Mas depois de séculos "enfeitando o pavão", Valesca Popozuda decreta o fim da metáfora. As coisas são o que são e não há porque fingir que são algo diferente disso - inaugurando a corrente ideológica da verdade nua e crua.

Para concluir, deixo vocês com Tom Zé e sua lindíssima análise de "Atoladinha".







quinta-feira, 26 de abril de 2012

Uma lição sobre limões, limonadas e caipirinhas.

Talvez este seja o post mais importante da história deste blog. Por favor, leiam com atenção e carinho.

Quando eu comecei este registro on-line que vocês lêem, eu assumi o risco de compartilhar com meu público todas as situações relacionadas à produção do meu primeiro CD.
É claro que quando eu comecei tudo isto, eu achava que o máximo de exposição que aconteceria seria algo em torno dos meus momentos de ansiedade, nada mais sério do que isso. É claro que eu achava que tudo ia dar certo e eu só teria vitórias para comemorar com meus leitores. Mas também é claro que eu estava enganada.

O caminho desta produção acabou tomando rumos muito mais tortuosos antes de reta de chegada para o lançamento. Comecei a ter problemas com a fábrica dos CDs, quanto ao prazo e quanto a imagem do produto e, como já havia virado praxe, divulguei também estes problemas aqui - porque o bom e o ruim têm que fazer parte do relato para que ele seja verdadeiro. E também para que outras pessoas aprendam alguma lição com a minha experiência.
Mas foi nesta divulgação de tudo que eu acabei metendo os pés pelas mãos. Quando as pessoas viram na vida real o resultado da impressão que eu tanto critiquei on-line, acharam que não era tão mal assim. Outras acharam que era um efeito do Photoshop... e no final das contas, se eu não tivesse dito nada, estaria tudo certo.  Eu confundi o fato de não estar como eu queria com o fato de não estar bom. E existe uma tênue linha entre o que é do nosso gosto e o que é qualidade - e mesmo que a impressão do disco tivesse ficado exatamente como eu queria, eu ainda estaria sujeita à críticas negativas de pessoas que não gostariam do resultado. Então, fica elas por elas.

Apesar de tudo, achei melhor ter compartilhado e contado a verdade do que viver a angústia do "e se alguém perceber que era pra ser outra coisa?".

Pois bem, aprendi uma lição sobre pegar os limões da vida e fazer uma limonada. Afinal, o que eu tinha como uma "impressão borrada" acabou virando uma "edição de colecionador", graças ao bom humor dos meus amigos. Depois, aprendi a fazer da limonada uma bela capirinha, ao ver que o que realmente importa é o som que está no disco - embora a imagem nos dias de hoje faça uma graaaande diferença, quem ouve no rádio não vê bolacha.

Acabei dando a discussão da borracha (a "bolacha borrada") por encerrada e vou aceitar as 900 cópias que já estão la na fábrica, prontinhas. Até porque eu tinha duas opções: gastar mais dinheiro e mais tempo para ter o CD que eu queria ou ter o CD que todos curtiram, sem gastar mais dinheiro nem mais tempo.
No final das contas, espero que essas primeiras 1000 cópias voem! E que isso tudo vire história para contar no futuro. Essa é uma tentativa manter a sinceridade sem me sacrificar pelas aparências. Sou uma artista iniciante, independente, este é meu primeiro CD e eu fiz absolutamente TUDO sozinha - é claro que algo tinha que dar errado.
A vida é assim: a gente erra, a gente aprende e não erra mais.

Em tempo, mais uma lição sobre sinceridade:

Minha avó me ligou depois de ver a capa do CD em que eu estou usando o vestido dela e disse a maior pérola de todos os tempos:
- Você nunca foi tão bonita assim! Como é que isso ficou bonito assim??