domingo, 15 de abril de 2012

O músico e a jukebox - um manual básico.

No post de hoje vamos aprender as diferenças básicas entre um músico ou grupo musical e uma jukebox. Também vamos ter dicas importantes sobre como se portar diante destas duas possibilidades de execução musical.

Para começar, uma breve explicação.

  • A jukebox é uma "máquina de música". Ela reproduz músicas escolhidas pelo cliente, que paga para ouvir seus pedidos atendidos. A máquina tem um catálogo vasto, porém, finito. Nem todos os pedidos podem ser atendidos.
  •  
  • O músico, ao contrário, não é uma "máquina de música" e sim, um ser humano. Porém, ele também reproduz músicas escolhidas pelo contratante, que também paga para ouvir o que gostaria - desde que haja um acordo prévio sobre o repertório. O músico pode ter um repertório vasto, mas isto depende de sua formação musical e de sua proposta artística para aquela apresentação. Além disso, a execução musical feita por pessoas depende do que chamamos de "pré-produção" - é necessário selecionar o repertorio previamente, escrever ou idealizar arranjos e realizar ensaios com toda a banda.

E como fazer para se portar diante de cada situação?

Bom, com a jukebox é muito simples!
1) Insira uma moeda ou ficha,
2) Escolha uma das canções do catálogo,
3) Aperte play.

Mas esteja preparado para não haver no catálogo aquela música que você queria ouvir. Esta operação pode ser repetida quantas vezes quiser, dependendo apenas do número de fichas ou moedas que você tiver.

Com o músico, é um pouco mais complicado. Para começar, é preciso haver um acordo prévio.

1) Se você tem algum pedido especial para o músico, combine com ele no ato da contratação.
2) Tenha sempre em mente que o músico é um especialista em uma certa área da música - e que ele tem o direito de escolher não atender seu pedido por uma questão de concepção artística.
3) Procure sempre um músico que tenha a concepção artística parecida com o que você deseja ouvir.
4) Na hora da apresentação, você até pode fazer pedidos. Mas lembre-se de ser educado e entenda que é possível que você ouça um "não" - e isso não significa que o músico esteja sendo mal educado, ele simplesmente não está preparado para atender ao seu pedido.
5) Se fizer pedidos, não vá até a beira do palco gritar com os músicos, não tente falar com os músicos durante uma música, não puxe os músicos pelo braço. Usar um guardanapo de papel com o pedido escrito é cafona, mas é  mais discreto.
6) O tempo de apresentação não é infinito, pessoas têm uma produtividade física limitada em relação às máquinas. Isto também deve constar no acordo prévio.
7) Atenção ao fato de que se você está pagando, você não é dono das pessoas. O dinheiro não dá direito a desrespeitar os profissionais que você contratou e que certamente estão se empenhando em te atender.

O mais importante é entender que a música ao vivo exige preparação e que fazer pedidos na beira do palco pode ser extremamente deselegante. Um exemplo que ilustra isso muito bem: se no jantar da festa está sendo servido um risoto, você não vai pedir ao garçom em altos brados para lhe trazer sushi. A cozinha não preparou isto porque não foi combinado previamente e porque o cozinheiro contratado é especializado em outra área culinária. Por que tentar fazer a mesma coisa com o músico?

Espero que este pequeno manual tenha esclarecido algumas questões! Até a próxima.


sábado, 14 de abril de 2012

Quando você "for famosa"...


Só hoje três amigos fizeram o tradicional discurso "quando você ficar famosa, não se esqueça de mim"!

E ultimamente, tenho ouvido muito isso das pessoas. Acho que esse é o jeito carinhoso dos amigos dizeram que eu sou importante pra eles e que acreditam muito na minha realização profissional e, por este apoio fenomenal, eu sou muito grata!

Mas eu estou aqui para dizer que acho que quando eu "for famosa" é que vou ter tempo de lembrar das pessoas. Acompanhe meu raciocínio: enquanto eu não sou ninguém (como, por exemplo, neste exato momento) eu sou minha própria produtora e estou ocupada com absolutamente TODOS os assuntos que envolvem a minha carreira artística. Além disso, como a minha carreira artística ainda me dá mais custos do que lucros, tenho que trabalhar como professora para sustentar meu sonho de cantora.
Portanto, no momento, eu trabalho por três - a professora, a produtora e, quando sobra tempo, sou a cantora.

Meu objetivo no futuro (quando eu "for famosa") é ser apenas cantora. E, assim espero, quando eu não for nem produtora nem professora, terei mais tempo para ser amiga, irmã, filha e namorada. É possível que eu passe mais tempo viajando e fazendo shows nos fins de semana- mas não isso não é problema, porque seria uma alegria receber todos os amigos no camarim e fazer a maior festa!

ps: "ser famosa" não está entre aspas à toa. Até porque, hoje em dia, Ex-BBB além de "famoso" é "artista", então há que se tomar cuidado com o uso dessas terminologias ...
ps2: acho que as pessoas acreditam mais que eu "serei famosa" do que eu...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Gente.

Este ano está sendo um aprendizado incrível para mim na questão das relações humanas - mais especificamente as relações humanas no trabalho.

O primeiro lugar que nos prepara para o relacionamento humano é a família. No seio familiar aprendemos o que podemos e não podemos fazer em sociedade. Especialmente quando temos um irmão - porque aí sim o bicho pega! Depois, na escola, começamos a aprender como são as amizades e as relações de hierarquia - afinal, levar uma advertência da direção é bem pior do que ir parar na coordenação, o que é bem pior do que ser advertido pelo professor. E então, na faculdade (principalmente na faculdade pública), começamos a aprender como poderia ser uma sociedade anárquica - onde você faz o que quiser e depois assume as consequências da sua conduta. Se você der sorte, em algum lugar nesse caminho entre escola e faculdade, você arruma um namorado e com ele aprende como são as relações amorosas.

Mas é depois de tudo isso, no trabalho, que as pessoas realmente mostram a que vieram no mundo.
E eu vou te dizer que lidar com gente não é nada fácil. Com as experiências que estou tendo com a produção do disco, posso dizer que estou aprendendo as seguintes lições, que passo adiante como "conselhos":

1) Por mais eficiente que você seja, não espere que as pessoas te dêem eficiência em retorno. Mais do que taxar as pessoas de "preguiçosas" ou "eficientes" é preciso entender que cada pessoa tem seu tempo e ritmo de trabalho.
2) Se você está fazendo um trabalho importante pra você, saiba que terá que fazer o trabalho dos outros algumas vezes. Não reclame disso, afinal, o maior interessado é você.
3) Prazos funcionam de maneiras diversas para as diferentes pessoas. Tem gente que só funciona com prazo e tem gente que, simplesmente, não funciona. A dica é: se o prazo é dia 20, diga às pessoas que é no dia 10 e assim receberá o que precisa lá pelo dia 15.
4) Se você abre seu e-mail todo dia, parabéns. Mas nem todo mundo vai te responder no mesmo dia, na mesma semana ou no mesmo mês que você enviou a mensagem. Dê uma ligadinha despretensiosa pra saber se o e-mail chegou - e bote a culpa no Google pela sua caixa de saída estar uma bagunça.
5) Seja simpático sempre. Pessoalmente, por e-mail e até por telefone. Uma dica: assim como dá pra ouvir o sorriso do cantor quando ele grava, a pessoa que está do outro lado da linha vai perceber seu sorriso também.
6) Seja humilde sempre. Mesmo quando o erro estiver do outro lado da relação, arrume um jeito de amenizar as coisas - e se for o caso, até peça desculpas. Um bom exemplo é: se alguém fala algo errado, em vez de dizer que a pessoa falou errado, você diz que não entendeu e pede para ela falar de novo.
7) A maior e mais útil das lições: paciência e persistência andam de mãos dadas. Para todos os casos acima citados, seja paciente. Muito paciente.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Aconteceu, virou manchete.

Tudo começou com a morte da Lady Di, causada pela perseguição dos papparazzi. Desde então, virou lugar comum artista reclamando da invasão de privacidade, acrescentando-se aí o eterno debate sobre a ética na imprensa.

Tenho certeza de que não estou nem sequer perto de passar por uma situação extrema, mas já estou começando a me relacionar com a imprensa com a divulgação do CD e vivendo suas idiossincrasias.

No último mês, meu assessor de imprensa tem sido pivô de situações, no mínimo, interessantes. Por exemplo, para estar num certo programa de TV você não pode ir a outro programa antes, porque as emissoras e apresentadores rivalizam o espaço. Se você escolher um, se queima com a produção do outro. Da mesma forma, para publicar num dado espaço em um jornal, algumas vezes o editor pede exclusividade naquela matéria e fica monopolizando seu conteúdo por dias a fio... mas o mais clássico é a publicação de coisas que não foram ditas por você.

Uma das primeiras notícias que saíram sobre mim, dizia coisas que não estavam escritas no release que enviamos e informações que sequer constavam no meu site oficial ou no site oficial do Daniel, meu produtor... chegamos ao ponto de ter que ligar para o jornalista e explicar que o Daniel não foi sequestrado por um casal americano e nem é adotado - a história do sequestro está no texto de release do site dele é só uma brincadeira com sua ida para os EUA no colo da mãe, ainda um bebê.

Mas ao contrário das previsões mais pessimistas em relação aos jornalistas, tem saído bastante coisa bacana sobre mim por aí, não só nos jornais mas também em blogs especializados... esses dias um amigo das antigas me reencontrou depois de ler uma matéria sobre mim em um blog.
Loucura total né?


Pra completar a alegria, hoje recebi a visita da equipe do Programa Andante! Gravamos uma entrevista aqui em casa e acho que vai ficar super bacana. O programa vai ao ar no site da TV Uerj e na TV Alerj, sábado 14:30h.  É muito bacana essa coisa de responder a perguntas sobre você mesmo e poder falar sobre suas idéias, sabendo que isso estará registrado para a posteridade (o que pode ser um perigo também, dependendo do tipo de idéia que você defende quais são seus argumentos para defendê-la).
Assim que eu tiver a entrevista, mostro aqui pra vocês.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Unanimidade e inteligência.


Acho que todo mundo já ouviu alguém citar Nelson Rodrigues, dizendo que "toda unanimidade é burra". Gosto muito deste dizer e sou um pouco partidária esta opinião. Claro que a gente deve evitar generalizações e me alegro em poder dizer que as excessões a esta regra são sempre surpreendentes.

É sabido que quando um músico ouve música, o buraco é bem mais embaixo. Não só pela exigência com as questões técnicas que é fruto do conhecimento de causa. O ego do músico é grande parte do seu ouvido. Muitas vezes, quando um músico ouve alguém que considera inferior tecnicamente ou artisticamente, rola um "regozijo" por estar em melhores condições. Por outro lado, quando o músico ouve alguém que considera superior, pode até virar fã - mas sempre bate aquele "ciuminho" de não ter atingido aquele nível. Obviamente, as comparações são bem piores quando se tratam de músicos que disputam o mesmo espaço, ou seja: uma cantora tem muito mais ciúme de uma grande cantora do que de um grande saxofonista, por exemplo.

Sei que existem músicos benevolentes, pacíficos, amorosos e que querem somente compartilhar a sua música. Mas a competição faz parte do nosso meio e eu acho que ela faz crescer, sempre. Se não fosse a competição entre músicos, não haveria Pet Sounds nem Sargent Pepper's Lonely Heart Club Band, dois álbuns memoráveis de bandas "rivais".

Perdi esse tempo todo falando sobre rivalidade porque, para mim, a questão da unanimidade tem muito a ver com isso. Primeiro, porque o que é unânime não tem rival. Segundo, porque eu sou o tipo que sente "ciuminho" das unanimidades. Sempre que leio por aí na imprensa especializada muitas matérias sobre alguém novo que é considerado "a melhor banda de todos os tempos da última semana", tenho uma implicância das boas. Sei que apesar da mudança de cenário na música, com a força das produções independentes e dos públicos alternativos, ainda tem muito dedo de gravadora na hora de escolher o que ouvimos e o que é considerado (como minha irmã diz) o último grito da moda.

Quando ouvi falar do Criolo pela primeira vez, minha rabugice falou alto. O cara foi citado pelo Chico Buarque (outra unanimidade) em um show e se tornou o mais novo gênio do cenário musical. Apesar da minha implicância, fiz questão de ouvir o disco inteiro para comprovar se essa não era mais uma daquelas mentiras contadas muitas vezes até se tornarem verdade ou se o cara era tudo isso mesmo.

E qual não foi minha surpresa ao ver que ele realmente tem muito conteúdo? Achei um intérprete versátil, um disco muito bem produzido, com referências musicais e textuais que remetem a coisas que acho muito inteligentes e importantes. Eu sempre fui fã do Gabriel o Pensador e desde que ele parou de produzir discos, me senti meio órfã. O Marcelo D2 nunca preencheu essa lacuna porque apesar de sua "busca pela batida perfeita" ser uma empreitada louvável, acho seu discurso muito monotemático. O fato é que o Criolo me ganhou com o groove da primeira faixa do disco e terminou de me conquistar falando mal de São Paulo. Depois vi alguns vídeos ao vivo, e acho que ele pode melhorar como cantor (só pra não deixar o ciuminho totalmente de lado) - mas o disco é primoroso.

No final das contas, fico feliz em saber que unanimidade pode estar aliada à inteligência. Afinal, quando num futuro muito distante eu for uma unanimidade, eu não vou me achar burra.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Depois da morte, o desespero.

Ontem meu pai me ligou preocupado depois de ler o último post, em que debati a questão da morte. Pode parece que as coisas por aqui estejam ficando muito heavy-metal , mas tem sido mesmo um período duro pra mim. Quero que todos saibam que eu continuo sendo uma pessoa muito feliz e realizada com este projeto. Pensar sobre o medo da morte e conversar com meus leitores invisíveis sobre isso é saudável, importante e significa que, se eu consigo falar sobre isso, eu não tenho tanto medo assim, no final das contas.

Mas não pense você que agora tudo já são flores. Abril é um mês em que muita coisa está para se resolver. Talvez acabe se tornando o mês mais decisivo de todo este ano. Vocês não sabem, mas além do show de lançamento do disco - que é um fato que por si só já poderia estar me deixando de cabelo em pé- estou trabalhando como produtora em dois projetos que serão inscritos em editais de patrocinio das Secretarias de Cultura do estado e município do Rio de Janeiro. Como se esse corre-corre não fosse suficiente, ainda sou professora de canto e professora de música em escola regular. Mas a cereja do bolo é um patrocinio que estou esperando do Ministério da Cultura - que tem me enlouquecido completamente, por estar relacionado a uma oportunidade que eu considero importantíssima na minha carreira.

O fato é que no dia 24 de abril, eu não terei apenas o lançamento do meu disco. Terei respostas sobre perguntas importantes relacionadas ao meu futuro e terei dois projetos concorrendo a importantes patrocínios.

Como não poderia deixar de ser, eu acabei ficando doente com toda essa ansiedade. Meu sistema digestivo deu um nó daqueles e eu tive que passar a Páscoa sem chocolate. Isso mesmo: chocolate -aquela doce gostoso que dizem que faz bem para aplacar a ansiedade. E cá estou eu sofrendo pela impossibilidade de acesso ao antídoto. Mas não é de hoje que eu tenho difícil acesso à cura dos meus problemas. Pasme: eu sou alérgica a Polaramine, um conhecido anti-alérgico. Daí já dá pra ver como funcionam as coisas comigo, né?

Enfim, acho que de todos os males, a ansiedade é o pior. Sei que muitas coisas não dependem de mim e sei que, enquanto dependiam, fiz o meu melhor - e que já tivemos esse papo aqui no blog, sobre deixar as coisas acontecerem sem a nossa interferência.

Mas eu não consigo só esperar e acabo desesperando.



quinta-feira, 5 de abril de 2012

A morte.

Ultimamente a morte tem sido uma questão muito presente nos meus dias. Acho que tudo começou com a história do acidente de ônibus que me fez refletir bastante. E aí, o assunto não saiu mais da minha cabeça. 
E justamente na véspera da Páscoa, onde, ao contrário do que você poderia pensar sobre chocolate, se celebra a Ressurreição de Jesus, venho aqui escrever sobre isso... só que ao contrário.

Na ultima semana sonhei que um médico (que, a propósito, era um padre japonês) me dizia que eu ia morrer no ano que vem. E eu ficava desesperada enquanto ele dizia sorrindo que eu já tinha cumprido meu papel na Terra e que era uma notícia boa, porque eu ia finalmente ia me livrar dos compromissos da vida.

E não é que bateu um baita medo de morrer? Eu nunca fui uma pessoa pessimista, mas por trás desse jeitão de durona, eu sou uma grande medrosa. Depois do sonho, tratei logo de recorrer aos livros e sites de interpretação de sonhos. E em todos eles consta que sonhar com a morte tem um sentido de renovação da vida, de recomeço. E mais: morte mesmo é quando você sonha com dentes... vai saber! 

Apesar de achar esses livros tão confiáveis quanto livros com significados de nomes de bebês -porque, afinal, quem tem o filho e quem tem o sonho é que sabe o real significado da coisa para sua própria vida - eu decidi me contentar com esta interpretação para não pirar de vez.

Depois de passar da fase do pânico e raciocinar bastante sobre o meu medo, tenho percebido que a morte que eu temo é uma morte simbólica.  Tenho medo mesmo é de morrer na praia, depois do esforço que estou tendo em lançar minha carreira como cantora. Tenho medo de estar investindo todo o meu tempo em algo que não vai dar certo. Tenho medo de ter de me contentar com uma vida que não quero pra mim, e que seria a mesma coisa que morrer. Tenho medo desta felicidade toda acabar em nada.

Essa história de sonhar é fogo - nos dois sentidos: sonhar ao dormir e sonhar fazendo planos. 
É um negócio muito arriscado, porque a gente sempre encontra um jeito de sonhar outra coisa, num ciclo que tem tudo para ser vicioso, se não for virtuoso. Quando sonhamos em realizar algo e conseguimos realizar este sonho, a sensação da conquista é tão gratificante que logo arrumamos outro sonho pra realizar. E assim vamos nos metendo nas maiores enrascadas para conseguir o que almejamos - mas assim vamos aprendendo muito também.

Já disseram que "o medo de amar é o medo de ser livre". E eu completo: só tem medo de morrer quem gosta muito de viver.